
Rio de Janeiro, cidade maravilhosa. São Paulo, a capital dos negócios, muitas vezes comparada a Nova York, que é tida como capital mundial pel sua grande expressão no cenário econômico norte americano. Qual a diferença entre essas três cidades? A população, a educação, a divisão de renda. O Brasil é um país que vive cercado de exclusão, de pobres, de gente que passa fome. Mas todos preferem não ver, fingir que tudo isso não existe, não acontece. É muito simples para todos nós que os pobres, a classe desfavorecida, fique nos morros, nas favelassujas e cheias de tiroteios do quem em meio as ruas das grandes cidades, ofuscando a visão de beleza que a classe média almeja. Longe dos olhos é como se eles não existissem. Afinal, o que a gente não vê, não sente.
Avenida Paulista, cartão postal da cidade. Todo mundo olha para o alto, vê os belos prédios, que são sinônimos de riqueza, beleza, inteligência, mas não vêem o que está ao seu alcance. A pobreza, a miséria. Nenhum de nós quer ver o lado B da questão, o lado pobre. Muitas pessoas não sabem, mas em meio a tanta gente bem arrumada que circula por lá todos os dias, estão mendigos, homens e mulheres que passam fome. Pessoas que perderam sua identidade, sua dignidade. Até quando essa situação vai continuar?
O que falar então da “cidade maravilhosa” que tem em seus morros uma população enorme, mas que vive completamente fora da realidade da cidade. Pessoas que não sabem o que é fazer compra em um shopping center, tomar sorvete com a namorada na praia. Pessoas que não sabem o que é viver. Uma população que já nasceu condenada a todos os tipos de injustiças.Quando eles, que estão nos morros, longe da vida, longe de todos os prazeres resolvem reagir em sinal de revolta a tanta exclusão, são acusados, apedrejados, sem nem mesmo terem direito a uma explicação.
É fácil para uma pessoa que sempre teve uma boa casa, uma família, um lar de verdade, julgar um garoto que não sabe nem ao menos o nome de seu pai, que vive em um morro e que tem como principal sonho ser “avião” ou até mesmo líder do tráfico.É apenas isso que almejam, isso que mais desejam. Para eles não existe uma outra vida, uma outra realidade. Pelo menos lá no alto, no morro, se eles conseguirem esse posto tão desejado pelos jovens que lá moram, ao menos garotas não vão faltar.É como se eles fossem reis. Lá quem faz as leis são eles, lá são ouvidos, lá eles existem.
Em um trecho do livro Abusado, de Caco Barcellos, uma carta escrita por uma ex namorada de Juliano VP (Márcio do santos Nepomuceno), na ocasião líder do morro Dona Marta, apresenta claramente essa exclusão. “Apenas dois quilômetros separam a minha casa da sua, mas a distância entre nós parece infinita”. O que a garota escreve na carta é o que de fato ocorre. A favela está muito próxima de nós, bem mais perto do que a gente imagina, mas não vemos, não queremos ver. Os pobres e os excluídos devem ser bons, quietos.Não devem nunca se revoltar contra a sociedade. Não existe emprego, os filhos passam fome, mas mesmo assim devem ser omissos, aceitar a dura realidade que a vida lhes deu. Parece até que estamos voltando no tempo, época dos escravos, que ao questionarem a situação deplorável que viviam, ouviam que Deus quis assim, que era um carma ou coisa parecida. Nasceram negros como castigo de Deus por algo que haviam feito no passado.
O tempo passou, mas a situação pouco mudou. O silêncio deve continuar, silêncio dos inocentes.Muita gente boa vive nas favelas, aliás, acredito que a maioria seja boa. A dura realidade da vida é que estraga as pessoas, que joga fora os sonhos, que apaga o desejo de uma vida digna, honesta. Voltando ao livro de Caco Barcellos, Juliano VP também tinha sonhos, sonhos como todos nós temos. Quando jovem fez um curso de desenho no qual se destacou. Depois quis ser modelo. Nem uma coisa nem outra foi para frente. O tráfico, a luta contra os policiais e a sociedade que discriminava a ele e a todas as pessoas que moravam no morro Dona Marta foi mais fácil. Era o que estava ao seu alcance, na porta de sua casa.
Para um jovem da favela é quase impossível arrumar um bom emprego. A começar pelo fato de morar na favela, apenas isso já é motivo para que seu cargo seja o mais baixo possível. Lixeiro ou faxineiro, garoto de entregas, coisas do gênero. Nunca , mas nunca mesmo alguém de destaque. A velha lei do nasceu pobre vai morrer pobre. Para ajudar, muitos deles, com 15 ou 16 anos já são pais. O sustento próprio já é difícil, que dirá de toda uma família.
A população se diz indignada , quer que a situação mude, mas nada faz para isso. Há aproximadamente 1 ano e meio atrás o programa dominical Fantástico, exibido pela tv Globo, exibiu em rede nacionalo documnetário Falcão , os meninos do Tráfico. Tudo chocou. Ver garotos de 9, 10 anos falando como adultos, cehios de marcas da vida. Marcas de uma vida miserável, sem esperança.. Alguma coisa mudou? Alguma coisa vai mudar?Não, nunca!E sabem por quê? Porque ninguém no fundo liga, ninguém no fundo se importa. Essas crianças sofrem, suas mães sofrem, mas sofrem longe de nós, distantes.
Cadê os 70% da população que ganha até dois salários mínimos? Onde estão os 35% da população que vive sem acesso a esgoto? Onde estão? A gente não sabe dizer, não faz parte da nossa realidade. Quando o esteriótipo vai deixar de ser importante? Afinal,basta que você olhe para uma pessoa para saber sua condição social. Tantas perguntas e questionamentos, tudo isso porque não podemos ser iguais, não podemos aceitar a diferença, a realidade urbana. Pode ser um dia que meu filho pegue esse texto e leia como algo muito antigo, algo distante da realidade, mas hoje, no momento que eu escrevo, tudo isso me assusta, me deixa indignado. Hoje eu não vejo solução para uma sociedade que mesmo com o passar do tempo ainda vive dividida entre a casa grande e a senzala.
Avenida Paulista, cartão postal da cidade. Todo mundo olha para o alto, vê os belos prédios, que são sinônimos de riqueza, beleza, inteligência, mas não vêem o que está ao seu alcance. A pobreza, a miséria. Nenhum de nós quer ver o lado B da questão, o lado pobre. Muitas pessoas não sabem, mas em meio a tanta gente bem arrumada que circula por lá todos os dias, estão mendigos, homens e mulheres que passam fome. Pessoas que perderam sua identidade, sua dignidade. Até quando essa situação vai continuar?
O que falar então da “cidade maravilhosa” que tem em seus morros uma população enorme, mas que vive completamente fora da realidade da cidade. Pessoas que não sabem o que é fazer compra em um shopping center, tomar sorvete com a namorada na praia. Pessoas que não sabem o que é viver. Uma população que já nasceu condenada a todos os tipos de injustiças.Quando eles, que estão nos morros, longe da vida, longe de todos os prazeres resolvem reagir em sinal de revolta a tanta exclusão, são acusados, apedrejados, sem nem mesmo terem direito a uma explicação.
É fácil para uma pessoa que sempre teve uma boa casa, uma família, um lar de verdade, julgar um garoto que não sabe nem ao menos o nome de seu pai, que vive em um morro e que tem como principal sonho ser “avião” ou até mesmo líder do tráfico.É apenas isso que almejam, isso que mais desejam. Para eles não existe uma outra vida, uma outra realidade. Pelo menos lá no alto, no morro, se eles conseguirem esse posto tão desejado pelos jovens que lá moram, ao menos garotas não vão faltar.É como se eles fossem reis. Lá quem faz as leis são eles, lá são ouvidos, lá eles existem.
Em um trecho do livro Abusado, de Caco Barcellos, uma carta escrita por uma ex namorada de Juliano VP (Márcio do santos Nepomuceno), na ocasião líder do morro Dona Marta, apresenta claramente essa exclusão. “Apenas dois quilômetros separam a minha casa da sua, mas a distância entre nós parece infinita”. O que a garota escreve na carta é o que de fato ocorre. A favela está muito próxima de nós, bem mais perto do que a gente imagina, mas não vemos, não queremos ver. Os pobres e os excluídos devem ser bons, quietos.Não devem nunca se revoltar contra a sociedade. Não existe emprego, os filhos passam fome, mas mesmo assim devem ser omissos, aceitar a dura realidade que a vida lhes deu. Parece até que estamos voltando no tempo, época dos escravos, que ao questionarem a situação deplorável que viviam, ouviam que Deus quis assim, que era um carma ou coisa parecida. Nasceram negros como castigo de Deus por algo que haviam feito no passado.
O tempo passou, mas a situação pouco mudou. O silêncio deve continuar, silêncio dos inocentes.Muita gente boa vive nas favelas, aliás, acredito que a maioria seja boa. A dura realidade da vida é que estraga as pessoas, que joga fora os sonhos, que apaga o desejo de uma vida digna, honesta. Voltando ao livro de Caco Barcellos, Juliano VP também tinha sonhos, sonhos como todos nós temos. Quando jovem fez um curso de desenho no qual se destacou. Depois quis ser modelo. Nem uma coisa nem outra foi para frente. O tráfico, a luta contra os policiais e a sociedade que discriminava a ele e a todas as pessoas que moravam no morro Dona Marta foi mais fácil. Era o que estava ao seu alcance, na porta de sua casa.
Para um jovem da favela é quase impossível arrumar um bom emprego. A começar pelo fato de morar na favela, apenas isso já é motivo para que seu cargo seja o mais baixo possível. Lixeiro ou faxineiro, garoto de entregas, coisas do gênero. Nunca , mas nunca mesmo alguém de destaque. A velha lei do nasceu pobre vai morrer pobre. Para ajudar, muitos deles, com 15 ou 16 anos já são pais. O sustento próprio já é difícil, que dirá de toda uma família.
A população se diz indignada , quer que a situação mude, mas nada faz para isso. Há aproximadamente 1 ano e meio atrás o programa dominical Fantástico, exibido pela tv Globo, exibiu em rede nacionalo documnetário Falcão , os meninos do Tráfico. Tudo chocou. Ver garotos de 9, 10 anos falando como adultos, cehios de marcas da vida. Marcas de uma vida miserável, sem esperança.. Alguma coisa mudou? Alguma coisa vai mudar?Não, nunca!E sabem por quê? Porque ninguém no fundo liga, ninguém no fundo se importa. Essas crianças sofrem, suas mães sofrem, mas sofrem longe de nós, distantes.
Cadê os 70% da população que ganha até dois salários mínimos? Onde estão os 35% da população que vive sem acesso a esgoto? Onde estão? A gente não sabe dizer, não faz parte da nossa realidade. Quando o esteriótipo vai deixar de ser importante? Afinal,basta que você olhe para uma pessoa para saber sua condição social. Tantas perguntas e questionamentos, tudo isso porque não podemos ser iguais, não podemos aceitar a diferença, a realidade urbana. Pode ser um dia que meu filho pegue esse texto e leia como algo muito antigo, algo distante da realidade, mas hoje, no momento que eu escrevo, tudo isso me assusta, me deixa indignado. Hoje eu não vejo solução para uma sociedade que mesmo com o passar do tempo ainda vive dividida entre a casa grande e a senzala.
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