Presidente Luiz Inácio Lula da Silva LUCIANE BRUNO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontra na Itália, participando de uma conferência da agência da ONU para Agricultura e Alimentos (FAO), onde o aumento mundial dos preços está sendo discutido. A produção do etanol brasileiro entrou em debate, pois o combustível – antes elogiado por representar uma opção limpa aos combustíveis fósseis – agora foi indicado como um fator significativo para a alta no valor dos alimentos.
Hoje, dia 1, durante coletiva na embaixada brasileira, o presidente confirmou que defenderá o etanol na próxima terça-feira, dia 03/06, durante a abertura da conferência: "Eu disse ao (ministro do Desenvolvimento) Miguel Jorge que é preciso nós juntarmos toda a inteligência brasileira na área de biocombustíveis, para que a gente possa fazer um debate interno e externo altamente qualificado, que não tenha apenas a questão emocional ou ideológica, mas que tenha o resultado prático do conhecimento científico daquilo que nós precisamos para o Brasil."
Foi tocada a questão do trabalho nas plantações de cana-de-açúcar - também criticada pela ONU e pela Anistia Internacional, que destacou em relatório situações "análogas à escravidão" em plantações no Pará. Lula comparou esse quadro com a mineração européia no ínicio da era industrial. "Todo mundo sabe que o trabalho na cana é duro(...). Não é mais duro do que o trabalho em uma mina de carvão que foi a base de desenvolvimento da Europa. Pegue um facãozinho e passe um dia cortando cana e desça numa mina a noventa metros de profundidade para explodir dinamite, para você ver o que é melhor. O Brasil está pronto e apto a qualquer momento para acabar com o papel do cortador de cana. O problema não é acabar, é você saber onde vai colocar mais de um milhão de trabalhadores."
Um modelo de contrato de trabalho nacional está sendo discutido entre o governo e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) para gerar condições mais favoráveis aos trabalhadores da indústria da cana, segundo o presidente.
Sobre a defesa do etanol, ainda mencionou detratores do combustível, citando ONGs, fazendeiros europeus e a indústria européia de automóveis. "A primeira coisa é que eu acho que você tem, na Europa sobretudo, pressão de ONGs, da própria agricultura européia, que não quer abrir mão dos subsídios, e você tem pressão, quem sabe, até da indústria automotiva européia que não quer mudar a sua matriz, o seu motor".
"Essa difamação (contra o etanol) é de todo mundo, inclusive nossa no Brasil. (...) Na medida em que você começa a ser um artista principal, você começa também a ficar muito mais visado. As pessoas começam a te bater".