terça-feira, 21 de outubro de 2008

Loucuras de internet


KLEBER PESSOLATO


-Não! Não mesmo!

Era essa afirmação que Heloisa passava para André, jovem que ela havia acabado de conhecer em uma sala de bate papo. O NÃO sonoro era para a simples pergunta dele.

-Você entra sempre nessas salas de bate papo?

O que ela afirmava era a mais pura mentira. Heloisa entrava sempre nessas salas para ver, se um dia, encontrava o seu príncipe encantado. Não necessariamente em seu cavalo branco, mas talvez, em sua tela de 17 polegadas, disposto a libertá-la desse vício de todas as noites e acordá-la com uma chamada no msn.

Heloisa, jovem de 25 anos, tinha terminado há 3 meses seu namoro com um garoto três anos mais novo que ela e muito mais desencanado. Eduardo só queria saber de sol, mar, praia e nada mais. Ela, uma mulher decidida e dedicada, colocou fim ao namoro, se arrependendo horas depois. Ligou, insistiu, mas não teve jeito. O molecão paulista com estilo de jovem carioca não quis.

Triste e carente, Helô, como prefere ser chamada, passou a entrar em salas de bate papo em busca do par ideal. Conversou com vários, encontrou alguns, se decepcionou com todos.

Em mais uma noite, depois do jantar e de arrumar seu quarto, Helô, partiu novamente a caça na web. Logo que entrou na sala 1 do bate papo, André, com o nick de advogado28, a chamou para uma conversa.

Papo vai, papo vem, trocaram msn. Helô estava entusiasmada demais. Era o príncipe, não fosse a distância. Ele do Rio, ela de sampa. Afirmava ser formado em direito, trabalhavar em um escritório grande e, principalmente, ser solteiro. A sintonia foi fantástica e passaram a trocar mensagens todos os dias, até que resolveram trocar telefones.
Conversaram por meses e ela começou a insistir em um encontro ao vivo. André se esquivava, pedia mais tempo, ela se irritava. Brigaram, choraram, pediram desculpas. Trocaram alianças via web cam. Fizeram jantares virtuais românticos. Um comendo de frente para o outro via telinha, se amaram (ou pelo menos, ela amou).

O grande dia estava prestes a chegar. O encontro. Ela não agüentava mais esperar, afinal, seu príncipe existia, ela havia encontrado. Entrou na internet para combinar como seria. Ele viria em um vôo pela manhã e ela iria buscá-lo no aeroporto.

Ligou a câmera e conversaram rapidamente. Ele disse.

- Não vou mais. Na verdade, eu namoro, sinto muito! Desligou, bloqueou ela do msn, terminou.

Helô ficou sozinha em seu quarto.
Se conheceram, namoraram, riram, choraram. Viveram um relacionamento em frente a telinha do computador.

É, coisas da modernidade...

Paixão que mata



Kleber Pessolato


Era uma segunda feira como todas as outras. Eloá e Nayara, amigas, saíram juntamente com mais dois rapazes do colégio em que estudavam para realizar um trabalho escolar de geografia. Mas, nada saiu como o planejado. O trabalho não começou a ser feito e menos de 15 minutos depois da chegarem na casa de Eloá, todos estavam sob a mira de um revólver calibre 32 de Lindembergue Alves, ex namorado de Eloá.

Houve contatos, pedidos, choro e muita emoção popular. A menina refém se tornou conhecida em todo Brasil por seu sofrimento; o jovem Lindembergue, por seu egoísmo.

Em meio as negociações, Nayara que havia sido libertada, voltou ao cativeiro para tentar, de alguma maneira, ajudar sua amiga. Não conseguiu. Nessas 100 horas (tempo do seqüestro), todos saíram frustrados. Polícia, pais, amigos, Nayara.
Eloá saiu desacordada, sem saber de nada, com um tiro na cabeça.

Era o furacão que havia devastado a vida da família de Eloá, Nayara, Lindembergue e que, deixava todos os brasileiros chocados. Foram dias em frente a televisão torcendo para que algo de diferente acontecesse. Horas esperando para que, aquilo que todos já imaginavam ser um final inevitável, não acontecesse. Como em uma novela, toda população gritava por justiça, opinava, e esperava com muita esperança, que o autor de toda essa trama, Lindembergue, os ouvisse e desse um final feliz para toda aquela história.

O que a população brasileira se esquecia, era que esse autor, tinha medo. Mostrava raiva e bravura com um revólver nas mãos, mas temia pela sua vida, temia pelo seu fim em meio a todo aquele transtorno que ele mesmo havia criado.

O final veio. Tiros, choro, morte. Muita comoção e revolta. Lindembergue preso. Nayara hospitalizada. Eloá, morta.

Mesmo com muita dor e sofrimento, a família optou por um ato de amor. Doou os órgãos da jovem e beneficiou 7 pessoas.

A mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel , disse que perdoa o assassino da filha, mas pede justiça. ‘Eu consigo perdoar o Lindemberg. Consigo perdoá-lo de todo meu coração, mas que a Justiça seja feita‘.
E disse ainda. ‘A polícia não teve culpa de nada. Nada, nada, porque eles lutaram como eu lutei. Eles choraram comigo como eu chorei. Eu queria que tudo terminasse bem, mas já que terminou dessa maneira, eu estou muito agradecida a todos‘.
E finalizou com muita emoção. ‘Talvez Deus tenha feito isso para dar vida a sete pessoas. Eu sei que ela está com Deus e estou feliz. O que está aqui é uma carne que vai apodrecer, mas o espírito da minha filha está com Deus‘.



Segundo a Guarda Municipal da cidade de Santo André, em média 12 mil pessoas acompanharam o enterro da adolescente e mais de 39 mil passaram pelo velório desde a última segunda feira (20).

A amiga Nayara manifestou interesse em ir ao enterro da amiga, mas foi impedida pelos médicos, visto que ainda não está de alta do hospital.
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