
Kleber Pessolato
Era uma segunda feira como todas as outras. Eloá e Nayara, amigas, saíram juntamente com mais dois rapazes do colégio em que estudavam para realizar um trabalho escolar de geografia. Mas, nada saiu como o planejado. O trabalho não começou a ser feito e menos de 15 minutos depois da chegarem na casa de Eloá, todos estavam sob a mira de um revólver calibre 32 de Lindembergue Alves, ex namorado de Eloá.
Houve contatos, pedidos, choro e muita emoção popular. A menina refém se tornou conhecida em todo Brasil por seu sofrimento; o jovem Lindembergue, por seu egoísmo.
Em meio as negociações, Nayara que havia sido libertada, voltou ao cativeiro para tentar, de alguma maneira, ajudar sua amiga. Não conseguiu. Nessas 100 horas (tempo do seqüestro), todos saíram frustrados. Polícia, pais, amigos, Nayara.
Eloá saiu desacordada, sem saber de nada, com um tiro na cabeça.
Era o furacão que havia devastado a vida da família de Eloá, Nayara, Lindembergue e que, deixava todos os brasileiros chocados. Foram dias em frente a televisão torcendo para que algo de diferente acontecesse. Horas esperando para que, aquilo que todos já imaginavam ser um final inevitável, não acontecesse. Como em uma novela, toda população gritava por justiça, opinava, e esperava com muita esperança, que o autor de toda essa trama, Lindembergue, os ouvisse e desse um final feliz para toda aquela história.
O que a população brasileira se esquecia, era que esse autor, tinha medo. Mostrava raiva e bravura com um revólver nas mãos, mas temia pela sua vida, temia pelo seu fim em meio a todo aquele transtorno que ele mesmo havia criado.
O final veio. Tiros, choro, morte. Muita comoção e revolta. Lindembergue preso. Nayara hospitalizada. Eloá, morta.
Mesmo com muita dor e sofrimento, a família optou por um ato de amor. Doou os órgãos da jovem e beneficiou 7 pessoas.
A mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel , disse que perdoa o assassino da filha, mas pede justiça. ‘Eu consigo perdoar o Lindemberg. Consigo perdoá-lo de todo meu coração, mas que a Justiça seja feita‘.
E disse ainda. ‘A polícia não teve culpa de nada. Nada, nada, porque eles lutaram como eu lutei. Eles choraram comigo como eu chorei. Eu queria que tudo terminasse bem, mas já que terminou dessa maneira, eu estou muito agradecida a todos‘.
E finalizou com muita emoção. ‘Talvez Deus tenha feito isso para dar vida a sete pessoas. Eu sei que ela está com Deus e estou feliz. O que está aqui é uma carne que vai apodrecer, mas o espírito da minha filha está com Deus‘.
Segundo a Guarda Municipal da cidade de Santo André, em média 12 mil pessoas acompanharam o enterro da adolescente e mais de 39 mil passaram pelo velório desde a última segunda feira (20).
A amiga Nayara manifestou interesse em ir ao enterro da amiga, mas foi impedida pelos médicos, visto que ainda não está de alta do hospital.
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