sexta-feira, 11 de abril de 2008

O Labirinto do Fauno



LUCIANE BRUNO


Um emocionante conto de fadas para adultos.
O filme “O Labirinto do Fauno” poderia ser definido desta forma, mas ainda assim não faria jus à grande emotividade e reflexão que ele traz ao espectador.

O cineasta mexicano Guillermo Del Toro tem ganhado certa notoriedade nos últimos anos, chefiando projetos audaciosos, se destacando na direção do “filme-pipoca” Blade II, e mais recentemente, com Hellboy, a competente adaptação dos quadrinhos do cultuado personagem-título.

Com seus primeiros degraus já galgados, não tardou para que Del Toro arriscasse um projeto mais autoral, em 2006. “O Labirinto do Fauno” nos remete á 1944, ao final da Guerra Civil Espanhola, mas acrescentando uma boa dose de fantasia. Ao início, vemos uma narração sobre uma princesa que abandonou seu reino subterrâneo para conhecer a realidade humana e as conseqüências de seu ato. Então conhecemos Ofélia (Ivana Baquero), uma menina de 10 anos fascinada por contos de fadas. Ela viaja para o campo junto com sua mãe Carmen (Ariadne Gil), que está grávida de seu padrasto, Vidal (Sergi Lopez). Ele é o capitão das forças fascistas, e logo notamos que se trata de um homem frio e sádico, que não nutre sentimentos por Ofélia.

A garota descobre um labirinto ao redor da casa, e por ele uma trilha subterrânea, onde encontra o Fauno (o mímico Doug Jones), uma criatura metade humana, metade bode, que a convence de que ela é a princesa perdida. Assim Ofélia embarca em uma jornada fantástica para realizar três tarefas e voltar ao seu reino. Ao mesmo tempo, vemos que a guerra vai cercando a região, e Vidal não poupa esforços e crueldade para exterminar os rebeldes que ameaçam o governo.

Mas o grande mérito do filme é contrastar a busca de Ofélia com a tensa realidade ao seu redor: por mais estranhas e assustadoras que sejam as criaturas do labirinto, mais assustador é o padrasto Vidal. E aos poucos vemos que a tal casa nada mais é do que um esconderijo de guerra.
Um outro ponto. Não é delimitado se a fábula do Fauno é uma fantasia ou uma realidade. Ao final da história, pode-se encontrar as duas respostas, e ainda se perguntar: a melhor maneira de escapar da realidade é criando um mundo de fantasia?

NAS LOCADORAS DE TODO O PAÍS

Nenhum comentário: