quarta-feira, 9 de abril de 2008

Condenados pela imprensa


O livro Caso Escola Base de Alex Ribeiro, conta o drama dos ex proprietários e funcionários da Escola Base. Passados 15 anos , a luta ainda não terminou, o caso ainda corre na justiça paulista. Tudo começa com uma acusação infundada feita por uma mãede um aluno da escola no dia 28 de março de 1994. A mãe estranhou alguns movimentos que o filho fazia(parecidos com o de uma relação sexual) e assim colocou a criança na parede com um série de perguntas, que mais pareciam afirmações. O garoto disse a mãe que havia sido abusado. Logo em seguida tudo que estava normal e tranquilo se transformou em um inferno. A até então pacada e confiável Escola Base se transformou na “Escola dos Horrores”, “Escola do Sexo”, dentre outras afirmações . Toda essa confusão e acusação eram baseadas em uma criança de 4 anos. Tudo sem nenhuma prova. A polícia quis mostrar serviço, os pais mostravam revolta. A escola foi devastada, destruída, seus proprietários e professores acusados, tudo em menos de 24h.

Ninguém teve tempo para se defender , a imprensa ouviu apenas um lado, uma sucessão de erros que causa danos até hoje. Tudo isso seja talvez a maior vergorha do jornalismo nacional. No livro, Alex procura deixar claro esse erro da imprensa, colocando ilustrações de jornais da época que condenaram a escolinha sem nenhuma prova concerta de estupro.

Passado uma semana de acusação, buscas infundadas e sem provas, foi comprovado que os professores nada tinham a ver com as acusações e que nem mesmo havia certeza se houve ou não abuso sexual. O laudo do IML(Instituto Médico Legal) declarou haver lesões relacionadas com práticas de atos libidinosos, porém, podem também ser causadas por fissura ou rágadas ano-retais, ou seja, uma patologia que pode ter ligação com fezes endurecidas. O menor também apresentava prurido anal, associado a parasitoses intestinais(verminoses). Resultado: O laudo do IML foi interpretado de maneira equivocada. O exame não foi declaratório. O resultados dos exames não podia afirmar com precisão se o menor havia ou não sofrido abusos sexuais.

O dano causado foi tão de na vida dessas pessoas que as emissoras tiveram de se retratar. Colocaram suítes (matérias que dão prosseguimento a um determinado assunto).
Até mesmo a Rede Globo levou ao ar uma retratação no dominical Fantástico. Mas resolveu? A lita da imprensa pela notícia quente, pelo furo de reportagem, acaba muitas vezes em matérias sem fontes confiáveis, sem a certeza de que se está levando ao leitor. O que importa é a venda do jornal, o choque que tal notícia vai causar nas bancas, e não se ela é de fato verídica ou se vai ferir a moral e a honra de determinada pessoa.

No jornalismo é necessário que exista ética, que se exista um cuidado muito grande. O caso Escola Base só deveria ter ido parar nos jornais após a confirmação de abuso sexual por parte dos professores e proprietários do local, quando tudo estivesse de fato confirmado. Uma suposição não é caso de jornal. O mais espantoso é que não foram jornais “fundo de quintal” que erraram. Jornais dos mais respeitados em todo o país e com jornalistas renomados , como é o caso do Jornal Nacional, da Rede Globo, também levaram a notícia ao ar em horário nobre com matérias de Valmir Salaro.

Em muitos casos parece que os jornalistas perderam o real sentido da profisão, que é o de informar e levar notícia a população. Esqueceram que tudo deve ser verdadeiro, respeitoso, esqueceram que o jornalismo não é uma brincadeira com a vida das pessoas, sim, uma profissão que deve lidar com a responsabilidade de mostrar o que quer que seja , desde que o fato tenha coerência.
Estudantes, profissionais que já estão na área, professores. Erros acontecem? Sim! Mas e quando esses erros são graves e devastam a vida de uma pessoa?Quando um erro deixa filhos sem sustento. Até que ponto o jornalismo pode chegar? O que ele pode causar de estrondoso na vida das pessoas?

Recentemente, no ano de 2006, São Paulo parou por notícias que jornalistas declararam como certas. Declararam que bandidos haviam determinado um toque de recolher e que as pessoas que estivessem nas ruas seriam baleadas e mortas. Notícias que não foram confirmadas pela PM e nem mesmo pelo governo do Estado. A cidade entrou em um caos. Pessoas passaram horas no trânsito. Faculdades e colégios cancelaram suas aulas. O jornalismo existe para informar fatos, não deturpá-los.

º Serviço

Livro Escola Base/Os abusos da imprensa

Autor: Alex Ribeiro

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