quarta-feira, 7 de maio de 2008

O jornalismo para o povo


Quando qualquer pessoa comenta que cursa faculdade de jornalismo, quem o vê, logo pensa que esse possa mudar o mundo. Essa idéia não norteia apenas a mente das pessoas de fora, muitas vezes está presente naqueles que entram nessa graduação. Logo querem fazer matérias mirabolantes, apresentar o lado begro da cidade, a realidade oculta. Mas, todos se esquecem de entender como podem fazer isso.

Por que a novela da Globo tem tanta audiência? Exatamente porque ela não apresenta a realidade para a população. A família, mesmo do pobre, mora em casa própria e tem tudo organizado. A vilã sempre morre no final, todos vivem felizes eternamente. Como então o jornalista pode apresentar para uma população a realidade que ela tanto comenta, mas que no fundo não quer ver?

Eduardo Coutinho em seus documentários mostra de maneira bem simles e direta como isso pode ser feito. No texto de Consuelo Lins, um trecho expressa bem essa questão. “As imagens encontram pouco a pouco um tom que deixa essa dureza em segundo plano”. O interesse interesse passa a ser o cotidiano, as dificuldades, as pequenas alegrias, os medos, os momentos de descanso, os amores...a forma que lidam com o que os cerca, suas estratégias de sobrevivência, a forma como inventam seus cotidianos. A conversa direteta e a ligação de amigo que ele estabelece com os entrevistados, faz de seu documentário algo leve, solto, gostoso de se ver.

Em “Edifício Master”, Coutinho conversa, dentre tantas pessoas, com uma garota de programa. Essa que se dizia tímida, fala abertamente sobre sua vida, seus dilemas, seus sonhos.
Se todo jornalismo fosse dirigido dessa meneira, a população, os jornalistas, todos meios de comunicação seriam compreendidos mais facilmente.


É estatisticamente provado que mais de 50% das pessoas que assistiem o Jornal Nacional da Rede Globo não compreendem o que vêem. Tudo isso proque as matérias seguem sempre os mesmos padrões, é tudo sempre muito igual. Todos assistem sem saber o que estão vendo. Por toda essa alienação Lula continua no poder. Ele que nada sabe, nada vê, nada ouuve. Ele, um presidente omisso, que só veio a público três dias após o acidente com o Airbus da Tam. Falta transparência em nosso jornalismo.

Nelson Brissac Peixoto diz em seu texto. O olhar do Estrangeiro. “Quanto mais rápido o movimento, menos profundidade as coisas têm”. O jornalismo, o dead line, a rapidez com a informação, fez com que a qualidade do jornalismo se perdesse. A informação que é o que de fato importa não é levada a sério. O que interessa muitas vezes é o sensacionalismo , o sofrimento dos outros. Aquilo que dá audiência é o que deve seguir para as páginas das revistas e jornais diários. Para todos os telejornais e também rádiojornais. Ainda no texto O olhar do Estrangeiro ! A repetição ao infinito banaliza as imagens, transformando-as clichês. É como se a cultura contemporânea estivesse liquidando seu estoque. O que é necessário para o jornalismo atual? “Contar histórias simples, respeitando detalhes, deixando as coisas aparecerem como são”


Não é necessário fantasia. O telejornalismo pricipalmente, na ânsia da audiência, de ficar com o primeiro lugar, o furo, tem feito coisas muitas vezes que não são especificamente corretas, jornalísticas. Alguns jornais invadem as casas das pessoas em momentos difíceis e fazem perguntas das mais absurdas. Levam o sofrimento para frente das telas, a dor como troféu.

A realidade não precisa ser colocada para chocar, sim, para fazer com que a população pense.Se conscientize, não tha pena. Em um trecho de Poesia e Realidade Contemporânea de Ferreira Gullar, uma das partes nos diz sobre isso. “Num mundo sem deuses, o homem é responsável por seu próprio destino e por cada um de seus atos. A solução dos problemas agora depende exclusivamente de sua capacidade de compreender a realidade e de atuar sobre ela”.

Enquanto todos os meios de comunicação mantiverem essa postura distante, nada pode mudar.

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